Rebranding: O novo nome do Facebook!
- Marketing Perverso

- 28 de out. de 2021
- 5 min de leitura
Atualizado: 6 de fev. de 2022

Você já ouviu falar sobre o termo rebranding? Com certeza já ouviu algum empreendedor dizer que sua empresa passou por um rebranding porque mudou a embalagem de um produto ou mudou a identidade visual da marca. Bom, sinto lhe informar mas isso não é rebranding, apenas alteração na identidade e embalagem do produto.
No dia 28 de outubro, o Facebook anunciou o seu novo nome: Meta. No mundo do marketing, muitas pessoas estão chamando essa mudança de rebranding pois a marca além de mudar o nome também está mudando o seu produto/serviço principal, ou seja, está se reposicionando no mercado.
O que é rebranding?
Para entender o que é rebrading e compreender todas as estratégias por trás dessa ação do Facebook, primeiro temos que saber o conceito de branding.
Uma marca só passa por um rebranding quando ela tem uma mudança significativa na sua gestão e mindset da empresa. Dessa forma, rebranding seria um novo posicionamento de marca com uma nova cultura organizacional, com novos valores, novas crenças e nova comunicação. Portanto, quando você faz uma alteração na sua logomarca ou na sua embalagem, você não está fazendo rebranding - apenas uma atualização do produto.
A mudança do Facebook pode ser considerado um rebranding visto que ela está se reposicionando no mercado e oferecendo um tipo de serviço novo que não tem nenhuma ligação direta com o que a empresa fazia anteriormente. É como se o Facebook deixasse de existir e a partir de hoje ressurgisse das cinzas de uma fênix: completamente renovada.
O Facebook agora se chama Meta
É importante lembrar que a mudança de nome não irá afetar de nenhuma maneira a existência e funcionalidade do Facebook app. A rede social continua funcionando do mesmo jeito e mantém o nome original. O que irá mudar é apenas o nome em relação ao grupo que administra as principais redes sociais - Facebook, Instagram e Whatsapp. Antes, o nome da empresa era Facebook Inc., agora, a corporação passa a ser chamado de Meta.
A nova marca é referente ao metaverso - o mundo dos espaços virtuais e avatares. Essa mudança marca o reposicionamento da empresa no mercado já que agora eles querem ser vistos e reconhecidos como uma organização voltada para a interação de pessoas em um ambiente virtual como se estivéssemos dentro de um vídeo game de realidade aumentada. O objetivo do Mark é desassociar a sua imagem ligada as redes sociais e aplicativos, deixando para trás todas as suas polêmicas e investigações que a empresa está sendo acusada durante os últimos anos.

"Somos uma empresa com foco em conectar pessoas. Hoje, somos vistos como uma empresa de mídia social. Construir aplicativos sociais sempre será importante para nós, e há muito mais para construir. Mas, cada vez mais, não é tudo o que fazemos. Em nosso DNA, construímos tecnologia para aproximar as pessoas. O metaverso é a próxima fronteira para conectar pessoas, assim como as redes sociais o eram quando começamos."
A Meta da empresa é o lucro
O timing da mudança do nome de toda a corporação não podia ser mais estratégica. Desde 2018, o Facebook está metido em polêmicas sobre vazamento de dados, manipulação de informações de perfis para campanhas de marketing e falhas técnicas como instabilidade do site e bugs que abriram portas para invasão de contas.
Depois de tantas polêmicas e até chegando a depor no Senado dos EUA, a reputação e credibilidade da marca começou a ser questionada pelos seus usuários - pessoas civis, e principalmente, marcas grandes.
Atualmente, o Facebook está sendo acusado pela Frances Haugen, ex-funcionária da empresa, de que o Facebook tinha conhecimento sobre os danos que estava causando na sociedade e não tomou nenhuma medida para tornar os seus aplicativos um ambiente seguro.
Então, para amenizar a crise que a companhia estava passando e distrair um pouco os veículos de comunicação de noticiar matérias que seriam cada vez mais negativas para a imagem da empresa, a melhor saída (e a mais inteligente) seria colocar o holofote para uma novidade muito maior e inovadora que seria do interesse de todos os envolvidos.
Com a notícia que o Facebook estava mudando o seu nome e mudando o foco dos seus serviços, cadê as atualizações sobre a investigação de Frances Haugen?
A Meta é tornar os usuários cada vez mais dependentes da plataforma
Como você se sentiu com o apagão das redes sociais no início do mês? Se você é empreendedor ou trabalha com marketing digital, o apagão foi a maior crise de 2021 que você teve que lidar na sua vida profissional. No entanto, quem foi esperto começou a perceber que não dá para confiar o seu negócio apenas nas redes sociais.
Entretanto, o difícil é não se tornar dependente da plataforma e de todos os seus mecanismos. O Instagram é a rede social mais usada no mundo inteiro e a que tem mais relevância para os brasileiros. No Instagram você consegue se relacionar com pessoas, acompanhar marcas, comprar produtos, encontrar novos segmentos, buscar estímulos de mudança de comportamento e até estéticos. Chegamos em um ponto que estamos alterando nossa realidade para se enquadrar em um mundo fictício de rede social onde todo mundo é feliz, bonito, magro e rico.
Estamos permitindo ser controlados por algoritmos e a cultura do ego que é alimentada pelos números de curtidas e visualizações. Estamos esquecendo de valorizar o momento presente e de curtir a vida off-line porque estamos muito ocupados em querer mostrar ao outro como somos melhores e superiores. Nos colocamos sem nem perceber, em uma competição de quem tem mais: mais conhecimento, mais viagens, mais beleza, mais dinheiro, mais tudo. E até que ponto isso vale a pena?
O Facebook sabe dessa dependência das empresas e das pessoas nos aplicativos que foram desenvolvidos por eles. Eles sabem e adoram porque são essas pessoas que estão movimentando diariamente as redes sociais e estão pagando para serem promovidas e mais conhecidas - competindo pela sagrada atenção do público para ter os seus 5 minutos de glória.
Dessa forma, a meta do Facebook é que as pessoas não saiam da plataforma e que seus aplicativos fiquem cada vez mais enraizado na vida das pessoas, independentemente do seu estilo de vida, valores e crenças. As pessoas têm que ficar porque são elas que estão dando dinheiro para a empresa.
A Meta sempre será a empresa em primeiro lugar.
A própria Frances Haugen disse que o Facebook não está nem aí para a segurança e os interesses dos seus usuários. A prioridade da companhia é apenas o lucro. Como posso ganhar mais dinheiro? Como posso manter o meu monopólio digital?
E sabemos que esse tipo de mentalidade está sendo desvalorizada pelos consumidores hoje em dia. Ninguém mais quer investir o seu dinheiro e o seu tempo em uma empresa que não respeita os consumidores, que não tem um mínimo de preocupação com a sociedade e o meio-ambiente. As pessoas não querem comprar desse tipo de marca e também não querem trabalhar para esse tipo de corporação.
O branding é essencial para as marcas porque ele consegue humanizá-las e criar traços de fácil identificação e valor com o público-alvo. Ele consegue se aproximar dos consumidores sem deixar explicito que aquela troca é uma transação comercial.

Infelizmente, o Facebook não está mudando para oferecer uma nova experiência para os usuários, e muito menos, para aprender com os seus erros do passado. O reposicionamento da marca é apenas uma estratégia para limpar a sua reputação no mercado e fazer todos esquecerem dos problemas e polêmicas que o Facebook causos nos últimos anos e que reverbera até hoje em nossas vidas.
Para ser um rebranding de verdade é preciso mudar a forma de gestão, e principalmente, o mindset da cultura organizacional. É preciso pensar e agir diferente. O novo posicionamento do Facebook é apenas a mudança de nome, pois, as prioridades e a forma de atuação e liderança da empresa continuarão perversas.
Não acredito que a mudança de nome irá apagar todos os erros da empresa no passado já que as acusações continuarão a ser investigadas e o Facebook continuará fazendo as mesmas coisas que faz sem nenhum peso na consciência e sem ninguém capaz de impor limites à empresa.



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